Aí que morar sozinha te prende numa rotina entediante de TV e internet. Pq parece que assim vc tá menos sozinha. Pra mim, ao menos. Aí que me olhei lendo meus feeds diários e me senti meio bleh. Não sei definir bleh. Mas lendo um post que no final constava a música do Green Day, Good Riddance, me inspirei e tirei um tempo pra sair do mesmo e pensar em mim.
Lá fui eu com papel e caneta começar a anotar tudo o que precisava (sim, preciso, pq são coisas que eu quero, e pra mim, menina mimada, se eu quero, eu preciso). Dizem que colocar seus projetos num papel te ajuda a ter mais foco pra correr atrás deles. Não sei, vou testar, não tenho nada a perder. Quem sabe num outro dia de inspiração eu passe a limpo numas folhinhas bonitinhas e cole pela casa pra me lembrar deles.
Planos pra 2 meses, 1 ano, 5 anos. Até os 30, pq eu sempre tive uma fixação absurda por números inteiros e pra idade é a mesma coisa, isso inclui as metades, os "5's" - e talvez por isso ter feito 25 anos na minha atual situação tenha me dado uma certa sensação de fracasso.
O fato é que há uns 2 anos atrás, um pouco mais, lembro de estar de #mimimi conversando com um amigo sobre ter comprado e "descomprado" um apartamento. Apartamento este que é sempre o culpado quando penso em algo pra culpar a minha atual situação ferrada, digo, financeira. Enfim, lembro de ter elencado pra ele uma série de coisas que eu já teria conquistado ou estaria chegando lá, aos 30 anos. To longe delas, bem longe, mas ainda assim, continuo acreditando na única coisa que eu sempre acreditei. Em mim. E sou boa admitindo meus defeitos: sempre fui muito pretensiosa.
E como eu nunca fui boa em fazer planos "de imediato" e os mais próximos são pra uns dois meses, me dou esse prazo, 60 dias. Pra aproveitar como me for conveniente, continuar vivendo como eu to hoje, inclusive fazendo nada quando eu não to mesmo a fim de fazer nada. Veremos.
Esse blog abandonadíssimo e eu juro que tento mudar esse layout, pq enjoei dele, juro que tenho uns 200 posts as draft, e aí que eu não faço nada. Enfim...
Aí que a tartaruga de chocolate me inspirou a finalmente escrever alguma coisa. Pq, por coincidência, essa semana eu tava conversando sobre isso com uma amiga, quando fomos almoçar e ela comprou aqueles doces em formato de frutinha com leite ninho. Já era de se esperar, passamos um tempo lembrando dos cigarrinhos de chocolate, do pirulito do Zorro, daquele que vinha com um pózinho e de mais um monte de coisas nostálgicas.
Bom, o docinho decepcionou. A Tortuguita também. Não que sejam ruins, mas vem toda aquela carga de "passado", toda aquela expectativa de criança, todos aqueles sentimentos bons, toda aquela despreocupação. Valores que esses produtos nunca tiveram, mas que nós agregamos a eles. Hoje vc conhece N sabores melhores, hoje vc abre o pacotinho e vem uma tartaruga "tosca" de chocolate. Sem graça. Nada de emoções, sentimentos ou felicidade juntos, mas expectativas sim. E expectativas, por mais próximas que cheguem da realidade são sempre super valorizadas, logo, quase sempre frustram.
E pra não parecer que esse post é só sobre gordices infantis, cito os meus desenhos queridos, Sailor Moon, Speedy Racer e the best one, Cavaleiros do Zodíaco, que revi pela Net, mas não me prendeu tanto quanto na Manchete, não entendi na época, mas não são mais tão bons. Não são mais "tudo aquilo"...
Falo também do meu livro preferido. Li quando tinha 8 ou 9 anos. E foi o primeiro livro LIVRO que eu li. Daqueles que a escolinha não mandava ler, daqueles que não eram infantis ou com ilustrações. Me senti adulta, me senti importante, me senti descobrindo o mundo. E a história me era tão envolvente, tão fascinante que eu me prendeu como nenhum outro. Não recomendo pra criança nenhuma, mas "O Xangô de Baker Street" fez parte da minha infância. Voltei a lê-lo mais umas duas ou três vezes, não sei com quais idades. Mas o fato é que não leria hoje. Quero comprar lá no Estante Virtual(meu mais novo vício de compras) pelo prazer de ter, pq a capa e folheá-lo vão me trazer toda a parte boa. A história eu não sei. Não sei se vai continuar sendo "incrível" e mágica ou se vai ser apenas um bom livro. Dessa vez, prefiro não arriscar.
O bom da vida é que a gente vive aprendendo. E aí que eu aprendi que lembranças devem ser isso mesmo, lembranças. Tentar revivê-las depois de passadas tira delas a beleza e, nesse caso, a inocência. E acho que isso serve pra todas essas nostalgias de criança, mas também pra quase tudo na vida. Se passou, teve que passar. Se acabou, teve que acabar. Eu gosto mesmo é de guardar o máximo de coisas boas de tudo, então tem horas que é melhor só sentir saudades.
E, poxa, a tartaruga foi frustrante, mas o pirulito do Zorro continua sendo o melhor de todos os tempos. E se eu achar, prometo que não vou comprar...
Há nove anos atrás (dia 17/11/2002 - to dois dias atrasada!), surgiu um blog. **NoT sUcH aN iNnOcEnT gIrL** (assim, com letras tipo montanha russa e asteriscos na barra de título do humm Internet Explorer). E este era um blog com a letra da música de mesmo título, da Victoria Beckham na barra de status, barra de rolagem colorida, toda combinandinha com o resto do layout, uma foto da J-Lo com efeito tosco no Photoshop 5 (WTF!), fontes mal escolhidas (ui, doeu ver minha escolha!), fades in/out nas imagens e etc e tal. O "internetês" rolava solto nos posts, algumas poesias, os acontecimentos corriqueiros, com os nomes dos amigos envolvidos, vírgulas e pontos intermináveis (sério, tinha algum problema no teclado, só pode! Se bem que os pontos continuam eternas reticências...), conversas comprometedoras do ICQ (WTF³³³³ - e agora nem foi problema do teclado!), confissões, dramas, dilemas, Big Brother (vergonha alheia!)... Tudo o que um blog do início dos anos 2000 tinha.
A imagem não me deixa mentir!
E aí deixo toda a dignidade de lado e introduzo a personagem principal:
Marcela, 15 anos, adora viajar, 1,52m, 42kg. Pisciana convicta, adora astrologia e afins. Poucos amigos, mais por não querer ter muitos mesmo, talvez por já ter se decepcionado demais com esses lances de amizade. Desconfiada, não fala tudo pra todo mundo (mesmo que tenha feito um blog...). É apaixonada por piercings e tatuagens. É super carinhosa e atenciosa com as pessoas que gosta, agora, com quem não gosta... também é sincera, às vezes até demais, super determinada, talvez por ser muito mimada e não se contentar em não conseguir o que quer, liberal na maioria das situações, super orgulhosa, odeia pedir desculpa e admitir que está errada, tanto que não o faz. Perfeccionista, exigente, meio fresca, metida e esnobe com quem não gosta, totalmente egocêntrica e principalmente: NARCISISTA!!! Tem verdadeiro complexo por emagrecer [...]*. Adora internet, fazer sites e afins, embora não tenha paciência pra isso. Também adora ICQ, mais pra ficar mudando... (e não consegui o resto da descrição pq era uma imagem cortada do layout!).
*na época fiz mais comentários sobre isso, que não cabem nesse blog de forma alguma.
Se passaram nove anos. E sentada aqui escrevendo esse post eu introduzo a nova velha personagem:
Marcela, 24 anos. Deixei de lado a mania de escrever em terceira pessoa, mas às vezes tenho umas recaídas. Continuo adorando viajar, 1,53m - pq é 1,52 e MEIO, há quase dez anos arredondava pra menos; hoje, pra mais. Engordei uns bons quilos. Continuo pisciana, não tão convicta, admiti meu ascendente em Gêmeos e a mistura dos dois me faz uma pisciana com ascendente em Gêmeos convicta. Pq bate e combina, não pq continuo ligada nas coisas de astrologia e afins... Desencanei, mas dou uma olhadinha no horóscopo de vez em quando.
Ainda não quero ter muitos amigos, pq continuo desconfiada e não falando tudo pra qualquer um, ainda mais pra todo mundo. Continuo tendo um blog (esse blog!), mas conheci o Wordpress e seu recurso de manter posts como privados. Também melhorei as entrelinhas. Sou ainda mais apaixonada por tatuagens, os piercings continuam aqui, firmes e fortes - com exceção do nariz, que eu perdi uma vez e nunca mais coloquei - mas deixaram de ser uma "paixão".
Continuo carinhosa e atenciosa só com quem eu gosto. Mas aprendi a ponderar e a demonstrar menos, embora sinta com a mesma intensidade. Com quem não gosto, aprendi a ser só educada e ignorar; falar apenas o essencial. Aí que já não sou mais a esnobe ou metida, tento ser simpati"quinha" pelo menos. Acho que essas combinações não me fazem mais assim tão sincera, acho que por isso adoro a contradição do "mentiras sinceras"; pq a gente aprende que algumas coisas a gente faz mesmo sem gostar ou sem querer, oras pra não magoar, oras pra não se magoar, oras pq a boa conduta assim pede.
Me vejo menos determinada, talvez pq eu não seja mais tão mimada (um pouco!), mas ainda acredito que se a gente quer algo e correr atrás a gente conquista o mundo. É, na época eu não admitia, mas sempre soube que concordava com o John Lennon quando ele cantava "you may say I'm a dreamer", hoje eu espero que o "but I'm not the only one" seja realmente verdade; eu sou tão idealista quanto naquela época, ainda que aparente não crer em nada...
Eu continuo liberal na maioria das questões, embora o mundo esteja cada vez mais louco. Talvez por isso às vezes me ache meio careta e/ou conservadora em algumas situações. Talvez nem seja pq o mundo está cada vez mais louco, mas pq com 15 anos a gente até acha que viu tudo e conhece todas as coisas, mas entende muito pouco sobre muito pouco...
Pedir desculpas ainda é difícil, mas hoje admito quando errei e peço desculpas se elas se fizerem necessárias. Mas também admito que o orgulho permanece e não me faz recuar mesmo quando sei que é a coisa certa a se fazer. Talvez daqui a mais nove anos eu aprenda. Eu espero aprender...
Sou perfeccionista e exigente, mas aprendi a ser mais tolerante. Com os outros e comigo. Mais com os outros do que comigo. O que me faz crer que não sou mais totalmente egocêntrica. Pelo contrário. Não raras as vezes que me pego pensando mais nos outros do que em mim mesma. E o narcisismo só dá as caras quando banco a retardada tirando foto no espelho; na maior parte do tempo ele tá perdido em algum lugar do passado.
Ainda tenho um certo complexo por emagrecer, mesmo que eu tenha aprendido que eu jamais vou aceitar meu corpo, não importa o quanto eu esteja realmente magra. E eu não estou, e eu nunca estarei. Aí eu me permito certas extravagâncias gastronômicas de vez em sempre, toda vez que eu tenho vontade. Pq não compactuo com o lema "se ame e se aceite do jeito que vc é", mas faço uma super apologia a ele. Hoje, se me incomoda, me condiciono a simplesmente não ficar olhando e procurando mais defeito. Às vezes rola todo um "fucking drama" reincidente, do tipo "eu sou o ser mais gordo e obeso da face da Terra e se comer vou ficar ainda pior", mas eu aprendi a dar uma contornada. Nem conto mais calorias, nem choro mais, nem entro em pânico, nem todo o resto. Essa definitivamente deixou de ser a questão central da minha vida.
Eu não sabia fazer sites naquela época, nem sei de onde surgiu a hipótese de que eu sabia. De qualquer forma, de lá pra cá eu não tenho mais saco pro Photoshop, mas aprendi a adorar códigos. E aí de vez em quando rolam até uns freelas. Mas nem sempre eu tenho paciência, de verdade.
O ICQ foi morto e enterrado. Até tentaram ressucitá-lo, mas não rolou... Eu ainda lembro meu número: 61040343, mas acho que já no resto da "minha descrição" eu dizia que gostava mais de ficar fazendo alterações no profile do que conversando. Eu também mandava recadinho pros amigos pelo profile, pq ficava registrado... Eu entrava só no Invisible e tinha uma meia dúzia de pessoas autorizadas a me verem. Desde então isso tudo piorou. Odeio qualquer "instant messenger" e quase fiquei louca dia desses ao usar o do Facebook... Mas eu usei, deixo isso claro pra não parecer uma ignorante. Na verdade eu odeio a impessoalidade de conversar com 10 pessoas ao mesmo tempo e pela internet. Não, vc não dá realmente atenção a todas. Principalmente ao mesmo tempo, com assuntos diferentes. Talvez uma. Ou duas.
Esse post é um dos maiores da história desse blog, provavelmente - ou é só um exagero - hipérbole, não sei pq lembrei desse lance de figuras de linguagem, acho que é nostalgia - pq não raras as vezes que eu escrevo demais. Mas são 9 anos. Eu prefiro números "redondos", mas esses 9 anos significam muito pra mim. Talvez por estar num momento mais introspectivo e reflexivo do que espero estar nos "10 anos".
É que olhar a descrição de uma garota que parecia se achar a última bolacha do pacote e saber que ela mesma nunca acreditou nisso chega a ser engraçado. Vc ri, com certa saudade, certa vergonha... Vc revive "dramas", momentos felizes, se frustra por não ter dado a determinados momentos e determinadas pessoas o valor que eles realmente mereciam, se culpa por ter supervalorizado outros... Mas não se arrepende... Vc olha pro passado e pro futuro. Pq daqui 9 anos eu espero olhar pra essa pessoa que escreve aqui hoje com essa mesma saudade que sinto agora, e rir de tudo que hoje faz chorar. É muito provável que eu chore, mas pq eu vou ter a certeza que valeu.
É que em 9 anos mudam-se tantas coisas... A gente deixa muito pelo caminho, pro bem e pro mal. Amadurece, se molda, revê conceitos, valores, prioridades... E isso tudo é importante. Mas eu sou daquelas que acredita que também é importante não perder a essência. A gente muda, mas não se torna outra pessoa. A gente evolui (deveria ser assim, pelo menos; e acho que pra mim foi). A gente aprende com cada tropeço e daqui 9 anos eu espero tropeçar menos e encarar com mais tranquilidade. E é muito provável que eu constate que muita coisa realmente mudou no mundo e em mim, mas eu ainda vou sentir que algumas coisas não mudam nunca, vou ver alguns traços bons da Marcela dos 15 e dos 24.
É que me conforta pensar que eu sempre tive um lugar onde eu pudesse ser eu mesma. Onde eu pudesse colocar aquilo que era importante naquele momento, sem pensar que era superficial ou profundo demais. Meu dia-a-dia, meus desabafos, meus pensamentos. Algumas vezes, confesso, me perdi no meio do caminho e quis dar um ar diferente pra esse espaço (que já teve tanto nome diferente também), mas voltei atrás. Pq isso pode ser "só" um blog, mas foi onde eu sempre encontrei abrigo, é o lugar que guarda boa parte da minha história, é o lugar onde eu mais me sinto a vontade. E daqui 9 anos eu espero poder reler todas essas histórias, que compõem a minha história. É muito provável que eu não leia tudo, eu não li hoje e não darei conta de ler jamais, mas sei que se eu ler algo aleatório vou reviver emoções parecidas com a de agora e sentir algo bom por pior que tenha sido aquele momento...
É que esse espaço pode ser só um blog web adentro, mas é o meu infinito particular...
PS: E ainda bem que eu aprendi a usar ponto final. Pra que tanta vírgula numa descrição!?!
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