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9 Anos No Meu Infinito Particular

Há nove anos atrás (dia 17/11/2002 - to dois dias atrasada!), surgiu um blog. **NoT sUcH aN iNnOcEnT gIrL** (assim, com letras tipo montanha russa e asteriscos na barra de título do humm Internet Explorer). E este era um blog com a letra da música de mesmo título, da Victoria Beckham na barra de status, barra de rolagem colorida, toda combinandinha com o resto do layout, uma foto da J-Lo com efeito tosco no Photoshop 5 (WTF!), fontes mal escolhidas (ui, doeu ver minha escolha!), fades in/out nas imagens e etc e tal. O "internetês" rolava solto nos posts, algumas poesias, os acontecimentos corriqueiros, com os nomes dos amigos envolvidos, vírgulas e pontos intermináveis (sério, tinha algum problema no teclado, só pode! Se bem que os pontos continuam eternas reticências...), conversas comprometedoras do ICQ (WTF³³³³ - e agora nem foi problema do teclado!), confissões, dramas, dilemas, Big Brother (vergonha alheia!)... Tudo o que um blog do início dos anos 2000 tinha.


A imagem não me deixa mentir!

E aí deixo toda a dignidade de lado e introduzo a personagem principal:

Marcela, 15 anos, adora viajar, 1,52m, 42kg. Pisciana convicta, adora astrologia e afins. Poucos amigos, mais por não querer ter muitos mesmo, talvez por já ter se decepcionado demais com esses lances de amizade. Desconfiada, não fala tudo pra todo mundo (mesmo que tenha feito um blog...). É apaixonada por piercings e tatuagens. É super carinhosa e atenciosa com as pessoas que gosta, agora, com quem não gosta... também é sincera, às vezes até demais, super determinada, talvez por ser muito mimada e não se contentar em não conseguir o que quer, liberal na maioria das situações, super orgulhosa, odeia pedir desculpa e admitir que está errada, tanto que não o faz. Perfeccionista, exigente, meio fresca, metida e esnobe com quem não gosta, totalmente egocêntrica e principalmente: NARCISISTA!!! Tem verdadeiro complexo por emagrecer [...]*. Adora internet, fazer sites e afins, embora não tenha paciência pra isso. Também adora ICQ, mais pra ficar mudando... (e não consegui o resto da descrição pq era uma imagem cortada do layout!).
*na época fiz mais comentários sobre isso, que não cabem nesse blog de forma alguma.

Se passaram nove anos. E sentada aqui escrevendo esse post eu introduzo a nova velha personagem:
Marcela, 24 anos. Deixei de lado a mania de escrever em terceira pessoa, mas às vezes tenho umas recaídas. Continuo adorando viajar, 1,53m - pq é 1,52 e MEIO, há quase dez anos arredondava pra menos; hoje, pra mais. Engordei uns bons quilos. Continuo pisciana, não tão convicta, admiti meu ascendente em Gêmeos e a mistura dos dois me faz uma pisciana com ascendente em Gêmeos convicta. Pq bate e combina, não pq continuo ligada nas coisas de astrologia e afins... Desencanei, mas dou uma olhadinha no horóscopo de vez em quando.
Ainda não quero ter muitos amigos, pq continuo desconfiada e não falando tudo pra qualquer um, ainda mais pra todo mundo. Continuo tendo um blog (esse blog!), mas conheci o Wordpress e seu recurso de manter posts como privados. Também melhorei as entrelinhas. Sou ainda mais apaixonada por tatuagens, os piercings continuam aqui, firmes e fortes - com exceção do nariz, que eu perdi uma vez e nunca mais coloquei - mas deixaram de ser uma "paixão". Continuo carinhosa e atenciosa só com quem eu gosto. Mas aprendi a ponderar e a demonstrar menos, embora sinta com a mesma intensidade. Com quem não gosto, aprendi a ser só educada e ignorar; falar apenas o essencial. Aí que já não sou mais a esnobe ou metida, tento ser simpati"quinha" pelo menos. Acho que essas combinações não me fazem mais assim tão sincera, acho que por isso adoro a contradição do "mentiras sinceras"; pq a gente aprende que algumas coisas a gente faz mesmo sem gostar ou sem querer, oras pra não magoar, oras pra não se magoar, oras pq a boa conduta assim pede.
Me vejo menos determinada, talvez pq eu não seja mais tão mimada (um pouco!), mas ainda acredito que se a gente quer algo e correr atrás a gente conquista o mundo. É, na época eu não admitia, mas sempre soube que concordava com o John Lennon quando ele cantava "you may say I'm a dreamer", hoje eu espero que o "but I'm not the only one" seja realmente verdade; eu sou tão idealista quanto naquela época, ainda que aparente não crer em nada...
Eu continuo liberal na maioria das questões, embora o mundo esteja cada vez mais louco. Talvez por isso às vezes me ache meio careta e/ou conservadora em algumas situações. Talvez nem seja pq o mundo está cada vez mais louco, mas pq com 15 anos a gente até acha que viu tudo e conhece todas as coisas, mas entende muito pouco sobre muito pouco...
Pedir desculpas ainda é difícil, mas hoje admito quando errei e peço desculpas se elas se fizerem necessárias. Mas também admito que o orgulho permanece e não me faz recuar mesmo quando sei que é a coisa certa a se fazer. Talvez daqui a mais nove anos eu aprenda. Eu espero aprender...
Sou perfeccionista e exigente, mas aprendi a ser mais tolerante. Com os outros e comigo. Mais com os outros do que comigo. O que me faz crer que não sou mais totalmente egocêntrica. Pelo contrário. Não raras as vezes que me pego pensando mais nos outros do que em mim mesma. E o narcisismo só dá as caras quando banco a retardada tirando foto no espelho; na maior parte do tempo ele tá perdido em algum lugar do passado.
Ainda tenho um certo complexo por emagrecer, mesmo que eu tenha aprendido que eu jamais vou aceitar meu corpo, não importa o quanto eu esteja realmente magra. E eu não estou, e eu nunca estarei. Aí eu me permito certas extravagâncias gastronômicas de vez em sempre, toda vez que eu tenho vontade. Pq não compactuo com o lema "se ame e se aceite do jeito que vc é", mas faço uma super apologia a ele. Hoje, se me incomoda, me condiciono a simplesmente não ficar olhando e procurando mais defeito. Às vezes rola todo um "fucking drama" reincidente, do tipo "eu sou o ser mais gordo e obeso da face da Terra e se comer vou ficar ainda pior", mas eu aprendi a dar uma contornada. Nem conto mais calorias, nem choro mais, nem entro em pânico, nem todo o resto. Essa definitivamente deixou de ser a questão central da minha vida.
Eu não sabia fazer sites naquela época, nem sei de onde surgiu a hipótese de que eu sabia. De qualquer forma, de lá pra cá eu não tenho mais saco pro Photoshop, mas aprendi a adorar códigos. E aí de vez em quando rolam até uns freelas. Mas nem sempre eu tenho paciência, de verdade.
O ICQ foi morto e enterrado. Até tentaram ressucitá-lo, mas não rolou... Eu ainda lembro meu número: 61040343, mas acho que já no resto da "minha descrição" eu dizia que gostava mais de ficar fazendo alterações no profile do que conversando. Eu também mandava recadinho pros amigos pelo profile, pq ficava registrado... Eu entrava só no Invisible e tinha uma meia dúzia de pessoas autorizadas a me verem. Desde então isso tudo piorou. Odeio qualquer "instant messenger" e quase fiquei louca dia desses ao usar o do Facebook... Mas eu usei, deixo isso claro pra não parecer uma ignorante. Na verdade eu odeio a impessoalidade de conversar com 10 pessoas ao mesmo tempo e pela internet. Não, vc não dá realmente atenção a todas. Principalmente ao mesmo tempo, com assuntos diferentes. Talvez uma. Ou duas.


Esse post é um dos maiores da história desse blog, provavelmente - ou é só um exagero - hipérbole, não sei pq lembrei desse lance de figuras de linguagem, acho que é nostalgia - pq não raras as vezes que eu escrevo demais. Mas são 9 anos. Eu prefiro números "redondos", mas esses 9 anos significam muito pra mim. Talvez por estar num momento mais introspectivo e reflexivo do que espero estar nos "10 anos".

É que olhar a descrição de uma garota que parecia se achar a última bolacha do pacote e saber que ela mesma nunca acreditou nisso chega a ser engraçado. Vc ri, com certa saudade, certa vergonha... Vc revive "dramas", momentos felizes, se frustra por não ter dado a determinados momentos e determinadas pessoas o valor que eles realmente mereciam, se culpa por ter supervalorizado outros... Mas não se arrepende... Vc olha pro passado e pro futuro. Pq daqui 9 anos eu espero olhar pra essa pessoa que escreve aqui hoje com essa mesma saudade que sinto agora, e rir de tudo que hoje faz chorar. É muito provável que eu chore, mas pq eu vou ter a certeza que valeu.

É que em 9 anos mudam-se tantas coisas... A gente deixa muito pelo caminho, pro bem e pro mal. Amadurece, se molda, revê conceitos, valores, prioridades... E isso tudo é importante. Mas eu sou daquelas que acredita que também é importante não perder a essência. A gente muda, mas não se torna outra pessoa. A gente evolui (deveria ser assim, pelo menos; e acho que pra mim foi). A gente aprende com cada tropeço e daqui 9 anos eu espero tropeçar menos e encarar com mais tranquilidade. E é muito provável que eu constate que muita coisa realmente mudou no mundo e em mim, mas eu ainda vou sentir que algumas coisas não mudam nunca, vou ver alguns traços bons da Marcela dos 15 e dos 24.

É que me conforta pensar que eu sempre tive um lugar onde eu pudesse ser eu mesma. Onde eu pudesse colocar aquilo que era importante naquele momento, sem pensar que era superficial ou profundo demais. Meu dia-a-dia, meus desabafos, meus pensamentos. Algumas vezes, confesso, me perdi no meio do caminho e quis dar um ar diferente pra esse espaço (que já teve tanto nome diferente também), mas voltei atrás. Pq isso pode ser "" um blog, mas foi onde eu sempre encontrei abrigo, é o lugar que guarda boa parte da minha história, é o lugar onde eu mais me sinto a vontade. E daqui 9 anos eu espero poder reler todas essas histórias, que compõem a minha história. É muito provável que eu não leia tudo, eu não li hoje e não darei conta de ler jamais, mas sei que se eu ler algo aleatório vou reviver emoções parecidas com a de agora e sentir algo bom por pior que tenha sido aquele momento...

É que esse espaço pode ser só um blog web adentro, mas é o meu infinito particular...

PS: E ainda bem que eu aprendi a usar ponto final. Pra que tanta vírgula numa descrição!?!



Postado em 19.11.2011 - 2:25
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Unconnected

Ando meio "louca" ultimamente. Chata, eu diria.

Acho que ontem foi o cúmulo, o ápice. Me vi, num curto espaço de tempo, passar por tanta coisa, dentro de mim mesma, que não saberia expor em palavras. E eu nem sei o porquê. Entrei em desespero, fiquei feliz, fiquei nostálgica, me vi discordando e julgando o que eu mesma faço, fiquei em dúvida, tive certeza, quis sair pelo mundo, quis festa, quis me enfiar num buraco, quis companhia e quis ficar sozinha...

A diferença, folks, é que, se eu constatei isso, cabe a mim mudar. Me comprometer com isso. E eu mudo, me reinvento. Ou eu tento. Tipo, "metamorfose ambulante", se necessário isso for. Eu farei o que estiver ao meu alcance pra ser feliz. O que não estiver, sinto muito, não cabe a mim; não cabe a mim ficar remoendo, sofrendo; let it be... Sei que vez ou outra eu vou ter recaídas, ter meus dias "de cão", querer gritar, fugir, me esconder e chorar como criança. Mas eu espero, com toda força, que seja menos frequente.

Dói; sempre dói. Dá medo, insegurança. Mas já postei aqui que a dor no fundo esconde uma pontinha de prazer (se bem, que veja, to começando a desconfiar disso, já).

E a partir de agora eu sou outra pessoa, a que eu já fui um dia.



Postado em 29.10.2011 - 11:50
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Undefined

Foram incontáveis as tentativas de escrever aqui antes. Pra dizer que apesar do post anterior parecer meio deprê, pra mim ele representava que eu sempre soube que sofrer era parte do processo, mas com a certeza de que tudo passaria. E eu poderia divagar horas nisso, mas volto ao post... A cabeça parecia parece incapaz de manter o foco numa coisa só. Turbilhões de idéias se completavam, mas, ali, no final, tudo junto&misturado, pareciam já não ter razão de ser.

A verdade é que muitas vezes eu quero falar muito. Sobre tudo ou sobre nada. Dizer o que eu penso, o que acredito e até o que eu sinto. Mas aí me dou conta da minha incerteza de querer ser ouvida... Também dessa vez - e talvez só dessa vez - eu admita que não sei. Não sei exatamente o que ou como me sinto. E dessa vez pesa mais do que a pura inabilidade - ou a falta de vontade - de falar ou admitir muita coisa sobre isso.

Pq é estranho imaginar que vc já teve tantos sonhos, fez tantos planos, achou que caminhava pra algum lugar, qualquer lugar, e de repente se vê sem nada disso. De repente vc se questiona sobre o sentido - ou a falta dele - em todas as coisas que vc vem fazendo, pensando ou querendo.

E aí entra a frase (cuja autoria desconheço; vi num twitter alheio) que inspirou esse post: "E quando vc não sabe se insiste ou se desiste?" Somos tendenciosos. Queremos algo e esse "algo" vira nossa verdade. Insistimos no que nos machuca, no que está fadado ao fracasso. Às vezes a gente precisa desistir. Por isso eu optei por desistir.

O problema é que desistir quase sempre parece derrota. Soa como derrota. Aí que sempre achei lindo Renato Russo cantando "quem acredita sempre alcança" , mas passei a achar hipocrisia quando a minha decisão foi desistir. Pq sempre acreditei que é necessário a gente saber encerrar ciclos sem sentido.

Mas numa dessas de ter tempo demais pra pensar, vi que Renato sempre esteve certo; eu é que fui superficial demais ao interpretá-lo. Pq faz, sim, todo o sentido. Não é buscar sonhos irreais. Às vezes a gente não alcança pq o que tá errado não é a idéia do verso. É o que a gente acredita. Pq no geral - e eu enquanto rainha das convicções falo com propriedade - a gente acredita com todas as forças. E isso nos engessa. Não nos faz reparar que há muito mais pra se alcançar. Crenças (enquanto produto do verbo acreditar=crer) que nos dão outras perspectivas, novas possibilidades e até algumas oportunidades.

Um pouco do que sinto agora é isso. A necessidade de acreditar. Acreditar em algo que pode dar certo. Acreditar em algo que vale insistir ao invés de desistir. Acreditar pra talvez alcançar...

Eu posso não saber o quanto esse momento vai durar. Ou o quanto a busca em "algo pra crer" vai demorar (ainda mais considerando que tendo a ser meio descrente). Nem saber o quanto de mim esse processo vai custar (isso, confesso, por vezes me assusta). Mas como eu sabia que a "fase triste" passaria, também sei que vou encontrar o que procuro e esse momento vai passar.

Pq no fundo eu sei o que eu almejo, o que espero pra mim, onde quero chegar... Não em termos de planos ou projeto de vida, que no momento, admito, estão em stand by por N motivos. Mas enquanto pessoa. Evoluir enquanto ser humano, priorizar, neste momento, o ser ao ter. Eu só não sei ainda como chegar lá. Sei que minha tendência a tudo é de proteção, de me proteger. Mas não entro nesses méritos, daria um outro post...

Então pra finalizar, fica meu atual "Mantra" - ou do Nando Reis que vira e mexe fala por mim melhor que eu mesma. E eu poderia analisar aqui cada verso, interpretar cada palavra. Mas resumo como sendo a síntese da reciprocidade. A disponibilidade de se abrir pro mundo pra receber tudo o que ele tem pra te dar. Sem medos, sem inseguranças, sem paredes ou falsas convicções...

[...] Quando não se têm mais nada, não se perde nada, escudo ou espada, pode ser o que se for livre do temor... Quando se acabou com tudo, espada e escudo, forma e conteúdo, já então agora dá para dar amor... Amor dará e receberá; do ar, pulmão; da lágrima, sal... Amor dará e receberá; da luz, visão; do tempo espiral... Amor dará e receberá; do braço, mão; da boca, vogal... [...] Adeus dor...



Postado em 22.09.2011 - 17:30
Arquivado em: Off topic